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“Reinterrogar a imagem política” na edição de 2009 do Doc’s Kingdom

Maio 12, 2009

docskingdom 2009

As relações entre a política e o cinema são o tema da edição de 2009 do Doc’s Kingdom – Seminário Internacional sobre Cinema Documental, organizado pela Apordoc (Associação pelo Documentário), a decorrer no Cineteatro Municipal de Serpa, entre 16 e 21 Junho:

“Ainda nas cinzas dum século que foi da política e do cinema, como pensar hoje as relações entre estes dois campos? Começando por evocar gestos seminais de uma época em que já tinham sido questionados radicalmente os termos dessa dicotomia (a viragem dos anos sessenta para setenta), avançamos depois para filmes recentes que nos ajudam a pensar o intervalo decorrido e a abertura de novos ciclos. Por um lado, obras em que pesa a agonia dum tempo – a política depois da política do século XX, a política depois da política. Por outro, explorações cinematográficas de territórios marcados pela memória, ou pela ruína desse tempo. Por outro ainda, novos libelos políticos directos que, num equilíbrio hoje raríssimo, se desenrolam também como um discurso sobre o uso da imagem. Algumas pistas, num programa que não se pretende sistematizador, antes é feito de interrogações parciais, de títulos que podem abrir fendas nos clichés que perduram. Ainda e sempre: o que é uma imagem política?”

As inscrições são até 5 de Junho e mais informações podem ser obtidas através do e-mail docskingdom@sapo.pt ou no site da Apordoc.

[CM]

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The Invisible Children of Uganda

Maio 3, 2009

Para complementar o post anterior…

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invisible children

Maio 2, 2009

The Rescue of  Joseph Kony’s Child Soldiers

In the spring of 2003, three young filmmakers traveled to Africa in search of a story. What started out as a filmmaking adventure transformed into much more when these boys from Southern California discovered a tragedy that disgusted and inspired them, a tragedy where children are both the weapons and the victims.  

Uma iniciativa interessante e um doc informativo, apesar da estética.

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Turismo, Património e Usos da Cultura: convite para participação em painel temático

Abril 28, 2009

Recebemos um pedido de divulgação do seguinte convite:

Gostávamos de vos convidar a participar, através do envio de propostas de comunicação, no painél temático que estamos a organizar no IV Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia, que decorrerá entre 9 e 11 de Setembro de 2009.

A motivação para a proposta deste painel surge em grande parte da necessidade de diálogo, de partilha de experiências e de enquadramento teórico da nossa própria investigação que é antes de mais um work in progress, encorajamos portanto a participação de estudantes e jovens investigadores tal como nós.

Turismo, Património e Usos da Cultura

COORDENAÇÃO
Joana Lucas (FCSH – UNL/CRIA) joana.i.lucas@gmail.com
Raquel Carvalheira (CRIA) raquelcarvalheira@hotmail.com

RESUMO
A proposta deste painel parte da premissa que património e cultura são constantemente alvo de reconfigurações e apropriações por parte de populações que os incorporam nas práticas e nos discursos do seu quotidiano, e que deles extraem novos e activos significados.
O objectivo será que através de estudos de caso, se possa mapear diferentes experiências em terrenos turistificados ou patrimonializados, onde a cultura seja apropriada como um recurso afirmativo ou reivindicativo. Tendo como pano de fundo que é uma apropriação da cultura que está na base destes processos, interessa compreender quais os recursos identitários que são postos em jogo e de que forma são enquadrados por linhas políticas e económicas mundiais, mobilizadas e operacionalizadas por instituições nacionais e internacionais.
Assim propomos discutir paralelamente as novas configurações políticas dos binómios tradição/modernidade e autenticidade/simulacro em terrenos turistificados e/ou patrimonializados, conjuntamente com outros igualmente políticos – local/global, dominação/ resistência, que emergem de arenas em que a cultura se tornou uma condição essencial para a defesa dos direitos humanos e uma bandeira para movimentos sociais e agentes de desenvolvimento que argumentam em prol da diversidade.

Joana Lucas e Raquel Carvalheira

Aqui fica o desafio.

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síndrome de ulisses

Março 27, 2009

Em aula, já lá vai algum tempo, tivemos oportunidade de tocar em temas da Antropologia Médica Crítica, uma corrente da AM que se propõe a questionar os modelos e instrumentos biomédicos enquanto ciência inócua, a reflectir e a denunciar, portanto, a sua contextualidade [cultural, histórica…] e participação no sistema político e económico mais vasto – com todas as implicações que isso abarca, ou pode abarcar. Lembrem-se, por exemplo, da Barefoot Anthropology de Scheper-Hughes e do seu trabalho sobre a medicalização da fome, julgo que no Brasil. Esta antropologia é normalmente engajada, e a SH é um exemplo forte da corrente.

Outra questão do âmbito que foi levantada, foi a da Síndrome de Ulisses, recordam-se? Pois é, parece que entra no próximo DSM, O! manual de referência psiquiátrica, como categoria patológica. À síndrome, não fosse ela a do emigrante [com stress crónico e múltiplo], são especialmente vulneráveis os negros, ainda mais se forem mulheres. O seu aparecimento (grande descoberta do Doutor Joseba Achótegui) relaciona-se – por favor, não subscrevo nada disto – com uma vulnerabilidade especial destes grupos, aliada à dissolução das estruturas tradicionais na vida em urbanização, entre outros factores. Para este problema de grande especificidade – os emigrantes, as suas angústias e a sua neuroquímica fantástica – serão desenvolvidos, claro, fármacos adequados.

LGS

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“algemas invisíveis”

Fevereiro 23, 2009

[Trago-vos uma situação que me foi contada por uma fonte próxima e segura, há poucos dias.]

Amal, empresa do sector metalomecânico, Setúbal.
Trinta jovens vietnamitas são contratados por três anos como soldadores, para ganharem 3euros à hora, quando um soldador típico ganha 10 (ainda que não totalmente declarados). Como é que isto acontece? Ora, estes rapazes estão legais no país e a sua condição é tida como regular. O truque: a empresa justifica a diferença salarial através dos supostos custos de transporte – vinda e regresso –, alimentação e alojamento – o último, consta, sem grandes condições. Convenhamos, porque traria a empresa homens da República Socialista do Vietname se as suas despesas suplementares os colocassem a par dos trabalhadores portugueses?
Nos próximos três anos, os vietnamitas, como são chamados pelos colegas, vão permitir à empresa compensar as oscilações do mercado, constituindo um grupo de mão-de-obra barata sempre disponível, independentemente do volume de trabalho/encomendas – que neste sector tende a variar quase sazonalmente…
Quem me contou isto falava em “algemas invisíveis”. Algemas invisíveis para os vietnamitas – que dificilmente juntam dinheiro para ver a família antes do fim do contrato, e que, alheios a tudo isto, estão até felicíssimos por o terem conseguido; algemas invisíveis para os trabalhadores nacionais, desprotegidos pelo sistema – os brilhantes contratos de 1mês e a possibilidade de se ser dispensado a qualquer momento, ou reivindicação.
Alguns dos trabalhadores portugueses foram dispensados por três dias, depois da chegada dos vietnamitas, tendo sido novamente chamados para um preço/hora mais baixo. Os que não aceitaram estão agora desempregados.
Ao que parece, tudo isto é legal e, acrescentaria, repetível.

LGS

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Genes, humanos e direitos

Janeiro 13, 2009

 

Na sequência do nascimento da menina inglesa seleccionada geneticamente para não ter um gene associado a diversos cancros – http://www.euronews.net/pt/article/09/01/2009/british-baby-pre-selected-against-cancer/ -, trago-vos, da UNESCO, a Declaração Universal Sobre o Genoma Humano e Direitos Humanos (1997).

Site oficial: http://portal.unesco.org/shs/en/ev.php-URL_ID=2228&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html

Versão portuguesa: http://www.anvisa.gov.br/sangue/simbravisa/Declaracao%20Genoma%20Humano%20e%20Direitos%20Humanos.pdf

Fica também a lei portuguesa relativa à “Informação genética pessoal e informação de saúde” (12/2005): http://www.cnpd.pt/bin/legis/nacional/Lei12-2005.pdf .

Parece-me que estas coisas têm impacto no mundo e que devem ser pensadas como artefactos humanos importantes. Escolher bebés, tipar medicamente indivíduos por genótipo, correr testes genéticos como avaliação para seguros, patentear genes humanos (muitos!)… tudo isto já está a acontecer e, para variar, vai passando a perna à legislação – porque é ‘flexível’, ou porque simplesmente não existe.

Se calhar os antropólogos, como “especialistas da cultura [processo]“, podem ajudar a compreender o fenómeno, a informar e a desenhar políticas mais eficazes… podem?

LGS

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60º aniversário

Dezembro 10, 2008

60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos

Aprovada pela Assembleia Geral das Nações Unidas no dia 10 de Dezembro de 1948,  a Declaração Universal dos Direitos Humanos comemora hoje 60 anos.

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Escravatura continua enraizada nas sociedades contemporâneas

Dezembro 8, 2008

Slavery may have been legally abolished around the world, but it remains a widespread and deeply rooted component on contemporary life” – conclui o relatório da UNESCO, com o título “Unfinished Business” publicado no dia 5 de Dezembro.

The publication is divided into five chapters: defining slavery in all its forms; presenting data on the scale of slavery, slave trading and other forms of human bondage; examining differences and similarities between historical and contemporary practices; identifying, via case studies in the United States, Saint Domingue/Haiti, Great Britain and Portugal, the main paths through which abolition of slavery has historically occurred; and, through a further series of case studies, exploring the key limitations of the legal abolition of slavery.

The conclusion outlines a series of general strategies and recommendations for addressing contemporary problems, based around education, information and awareness, further legal reform, effective enforcement, and release, rehabilitation and restitution.” (do site da UNESCO)

O relatório completo pode ser lido aqui.

[CM]

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A escravatura e o tráfico humano

Novembro 21, 2008

ending_slaveryKevin Bales, Ending Slavery. How We Free Today’s Slaves, University of California Press, 2007.

Kevin Bales é presidente da organização “Free the Slaves“, professor na Universidade Roehampton, em Londres, e autor de várias obras sobre o tráfico humano e a escravatura actual.

Neste livro, o autor vai além da descrição e denúncia de casos particulares da exploração laboral e sexual de homens, mulheres e crianças, numa rede de tráfico à escala global. Pretende, sobretudo, mostrar que podemos – enquanto cidadãos, organizações ou poderes instituídos – lutar e contribuir para acabar com a realidade da escravatura existente nos dias de hoje, “sob os nossos olhos”.

As soluções apresentadas pelo autor podem ser consideradas utópicas ou dificilmente concretizáveis, mas têm o mérito de nos colocar no campo das possibilidades de acção, apontando meios e formas de activamente ultrapassar a passividade do mero comentário.

Outras ligações:

Free the Slaves no YouTube

Campanha Nacional da Presidência do Conselho de Ministros – Plano Nacional contra o Tráfico de Seres Humanos [pdf]  e video da Campanha no YouTube