
CONTEXTOS ÁRABES E ISLÂMICOS 2011-2012 Programa
Bem-vindos ao grupo de trabalho da disciplina de Contextos Árabes e Islâmicos da licenciatura em Antropologia.
Veja o programa aqui

Bem-vindos ao grupo de trabalho da disciplina de Contextos Árabes e Islâmicos da licenciatura em Antropologia.
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No dia 7 de Outubro de 2011, a polícia religiosa da Arábia Saudita prendeu um jogador de futebol colombiano num centro comercial por exibir uma tatuagem de Jesus Cristo no ombro. Juan Pablo Pino, de 24 anos de idade e jogador do clube Al Nasr, vestia uma camisola sem mangas quando passeava, com a esposa, num centro comercial da cidade de Riad, capital do país. A tatuagem do rosto de Jesus gerou insultos de vários muçulmanos, atraindo a atenção da chamada “Polícia para a promoção da virtude e prevenção do vício” que o deteve o casal. Os agentes levaram-nos a um carro e esperaram a chegada de directores do clube Al Nasr, aos quais o jogador e sua esposa lhes foram entregues. Em seguida o clube divulgou umas declarações atribuídas ao jogador nas quais ele expressa sua “profunda tristeza” pelo ocorrido e onde teria assegurado que ele respeita as leis do país. Do mesmo modo o texto indica que o jogador teria comprado roupa muçulmana para que sua esposa “saia de maneira mais respeitosa”.
Em Setembro 2011, Gustavo Costas, que dirigira o clube peruano Alianza Lima, contou detalhes da sua nova vida: “Se eu fizer o sinal da cruz me matam. Em Lima, quando dirigia o Alianza, eu fazia o sinal da Cruz antes de cada partida e levava sempre meu terço no pescoço”. Em 2010 ocorreu um caso similar ao de Pino quando o jogador romeno Mirel Radoi, do clube Al Hilal, depois de marcar um golo, beijou a tatuagem de uma cruz que levava no braço. O facto provocou descontentamento dos muçulmanos que são a grande maioria no país, onde qualquer outra religião distinta ao Islã está proibida e onde se encontra Meca, principal destino de peregrinação dos islâmicos.
Pareceu-me curioso este evento por demonstrar uma ideia um tanto inexistente para nós, os ditos “Ocidentais”. Frequentemente, e estou a falar exclusivamente por mim, a noção que existe de preconceito religioso é quase exclusiva em relação às religiões não Católicas. Não é que a existência desta realidade seja alguma surpresa, mas sendo o Orientalismo ‘uma construção do Ocidente’ para criar uma imagem de antítese, seria de supor que essa antítese fosse mais generalizada, não havendo portanto espaço para estes acontecimentos que se limitam a reflectir o carácter universal da intolerância.
Notícia interessante, que espelha com clareza o “carácter universal da intolerância”, citando-te, e os sinais são muitos, a ocidente (como em França, no caso da interdição do uso de certos trajes tradicionais pelas mulheres muçulmanas, que inclui a 2ª geração nascida no ocidente), ou no oriente, como o que é referido. Da notícia, há uma referência que me deixa não perplexo (porque sabia da sua existência), mas algo chocado, que é a questão da “polícia religiosa”, e, procurando não cair na intolerãncia opinativa, inclino-me a considerar aberrante uma polícia deste tipo.
É preciso acentuar que se trata da Arábia Saudita um país cuja legislação se baseia no Islão, sendo esta e como o Gonçalo descreve a única religião permitida. Claro que para nós estas medidas podem parecer extremas e inaceitáveis, mas se formos a ver eles têm preconceito contra as outras religiões, nós ocidentais, temos preconceito contra os “Árabes”, quando digo árabes não da península arábica ou seus descendentes, mas todas as populações islâmicas, que o homem comum denomina de Árabe (como já foi discutido na aula a confusão entre países islâmicos e árabes), seja por motivo de terrorismo, ou mesmo das suas ideologias e hábitos, nós (falo em nós no sentido geral da palavra: ocidentais) discriminamos sem ter uma razão válida e única. Seja por influência dos media, ou seja por experiências passadas, nós os estereotipamos como terroristas, ou idealistas… Portanto eles podem ter preconceitos contra a religião, podem não aceitar os símbolos religiosos de outrem, mas nós embora os aceitemos, vivemos com medo deles, ou com desconfiança. A situação torna-se idêntica, só que o ocidental com o medo de ser julgado como intolerante não o assume muitas vezes, mas o preconceito não desaparece, sempre o houve e muito provavelmente sempre vai haver. A meu ver é uma questão de respeito, quando vamos para esses países, sabemos da sua intolerância, e enquanto isso não mudar (enquanto o estado não se separar da religião, ou as pessoas não mudarem a sua maneira de aceitar o mundo) temos que respeitar, Da mesma maneira que muitas mulheres turistas se tapam e usam véu, porque é que Pino não taparia a tatuagem? As leis estão lá e são claras, o turista se quer conhecer o país tem que aceitar as regras dos seus cidadãos por mais que nos seja difícil aceitar. Será que Pino também não estaria a ser intolerante quanto ás regras religiosas do país? Será que a intolerância neste caso é unilateral ou provém das 2 partes?
Em geral estou de acordo com a ideia base do teu comentário, sobretudo quanto ao reconhecimento da existência de preconceitos a Ocidente e a Oriente. Claro que há preconceitos! E ficamo-nos apenas pelo reconhecimento da sua existência? Penso que não, e, à partida, procuremos ser claros quanto às intolerâncias de que se revestem, e tomemos uma posição pessoal, procurando fazer o exercício de as desconstruir. O mundo não é perfeito, sabemo-lo, e uma das suas imperfeições é precisamente a intolerância para com os “outros”! Se eu não entendo como correcta a atitude da França, no seu território, face à interdição de usar o véu pelos que entendem que deveriam usá-lo, porque hei-de ser complacente com a existência de uma polícia religiosa na Arábia Saudita? E estaria contra, naturalmente, se neste cantinho luso fossem decretadas tais intolerantes medidas. Não poderei sentir-me a cometer um delito de opinião ao manifestar, aqui, a não aceitação dessas intolerâncias. Não preciso de estar na Síria, para reconhecer que a intolerância do poder tem-se manifestado violentamente através da repressão exercida sobre os seus cidadãos, e não tenho que estar de acordo com aqueles métodos. Como não tenho de estar de acordo com as outras intolerâncias já aqui referidas. Não se trata de nos apresentarmos como modelo – até porque não somos (o Ocidente) modelo para coisa nenhuma -, mas antes procurar ter uma perspectiva independente daquilo que julgamos serem os melhores valores. É a minha posição, em consciência.
Em geral estou de acordo com a ideia base do teu comentário, sobretudo quanto ao reconhecimento da existência de preconceitos a Ocidente e a Oriente. Claro que há preconceitos! E ficamo-nos apenas pelo reconhecimento da sua existência? Penso que não, e, à partida, procuremos ser claros quanto às intolerâncias de que se revestem, e tomemos uma posição pessoal, procurando fazer o exercício de as desconstruir. O mundo não é perfeito, sabemo-lo, e uma das suas imperfeições é precisamente a intolerância para com os “outros”! Se eu não entendo como correcta a atitude da França, no seu território, face à interdição de usar o véu pelos que entendem que deveriam usá-lo, porque hei-de ser complacente com a existência de uma polícia religiosa na Arábia Saudita? E estaria contra, naturalmente, se neste cantinho luso fossem decretadas tais intolerantes medidas. Não poderei sentir-me a cometer um delito de opinião ao manifestar, aqui, a não aceitação dessas intolerâncias. Não preciso de estar na Síria, para reconhecer que a intolerância do poder tem-se manifestado violentamente através da repressão exercida sobre os seus cidadãos, e não tenho que estar de acordo com aqueles métodos. Como não tenho de estar de acordo com as outras intolerâncias já aqui referidas. Não se trata de nos apresentarmos como modelo – até porque não somos (o Ocidente) modelo para coisa nenhuma -, mas antes procurar ter uma perspectiva independente daquilo que julgamos serem os melhores valores. É a minha posição, em consciência.
Realmente é uma notícia interessante, e como a colega Andreia disse é preciso notar que este acontecimento se deu no país com regras mais rígidas do que a maioria dos países muçulmanos, ou mesmo todos os outros países. Mas esta notícia também mostra que a intolerância religiosa dá-se nos dois sentidos: Ocidente/Oriente e Oriente/Ocidente.