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“Army Enlists Anthropology In War Zones”

Abril 5, 2008

 5/10/07, NY Times
http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9d04e3d81130f936a35753c1a9619c8b63  (s/imagens)

“The aim, they say, is to improve the performance of local government officials, persuade tribesmen to join the police, ease poverty and protect villagers from the Taliban and criminals.”

  De novo as questões da Antropologia Aplicada, nomeadamente à guerra em nome dos Direitos Humanos. Depois do controlo colonial e da guerra do Vietname, é difícil pensar esta possibilidade para a disciplina sem preconceito. Poderá contribuir a Antropologia para a redução dos confrontos armados e introdução de uma nova perspectiva – mais dialogante e descentrada – dentro do exército americano? Ou será esta uma visão cor-de-rosa para uma realidade violentamente assimétrica, onde a participação do antropólogo é necessariamente pouco ética porque cooperante com interesses políticos duvidosos? (Não tínhamos falado em Antropologia com responsabilidades práticas e políticas?…)

  Não me parece um assunto fácil de discutir, sobretudo porque não vislumbro grandes soluções intermédias. Gostava de ouvir/ler algumas opiniões…

LGS (Liliana Gil Sousa)

6 comentários

  1. Bem, custou a acender, mas a discussão promete, com o tema que alguém (?) lançou. Não é nada fácil, mas os antropólogos já debatem esta questão há algum tempo. Vejam os artigos da “Anthropology Today” 2006, V.22 n.6.

    MCS


  2. A participação de antropólogos em equipas do exército americano de intervenção em cenários de guerra (“Human Terrain Systems”), nomeadamente no Iraque e no Afeganistão, como forma de aproximação às populações locais, animou debates acesos, principalmente entre os antropólogos americanos, envolvendo a própria AAA.

    Para além da participação no terreno, toda a estratégia foi delineada por antropólogos ao serviço do exército e a utilização destas equipas foi (é ainda?) a pedra de toque de uma mudança na estratégia militar do exército americano nestes contextos.

    Para legitimar esta participação activa, recorreu-se inclusivamente ao passado da antropologia e a exemplos de envolvimento de antropólogos como Margaret Mead, Gregory Bateson ou Ruth Benedict em operações ligadas ao exército ou aos serviços secretos americanos.

    Em “post” vou colocar uma série de ligações para sites e blogs que se envolveram no debate, onde se poderá encontrar muita polémica e bastante informação.

    CM (Cristina Moreno)


  3. É verdade que estas questões da militância dentro da antropologia não devem ser tomadas de ânimo leve.
    Se é verdade que os antropólogos apresentam uma posição priveligiada sobre qualquer outro cientista social quando se trata de analisar as diversas esferas que constituem uma sociedade, também é verdade que ao intervir directamente levantam diversas questões éticas.

    Em relação a esse aspecto estou de acordo com o ponto de vista da autora Ellen Messer, quando afirma que estes dilemas trazem a análise antropológica para fora da escala das sociedades mais pequenas e para dentro da escala dos sistemas legais e das culturas nacionais e globais.

    Mas até que ponto pode ir a militância na antropologia? Ao cruzar as fronteiras da observação, poderá ser levada ao ponto de tomar o partido de alguma comunidade?

    SR (Sara Rosa)


  4. A questão é muito complicada e não me parece que seja um assunto mesmo nada fácil de discutir.

    Quanto a mim, e de uma forma um pouco generalizada, a posição do antropólogo é até certo ponto uma faca de dois gumes:
    privilegiado do ponto de vista metodológico, o antropólogo tem a capacidade e tem mesmo a obrigação de possibilitar uma perspectiva mais aberta, descentrada e dialogante entre as duas ou mais partes envolvidas num conflito. No entanto, não deixa de estar sempre subjugado aos interesses politicos e económicos predominantes[…] terá sempre a hipótese de prescindir da ética ( que como se sabe é outro debate aceso no seio da antropologia)cooperando com interesses politicos que afectam a sua credibilidade perante as outras partes envolvidas.

    Mas terá mesmo o antropólogo de adoptar uma posição neutral?

    Bem em relação à questão central a minha opinião é de algum cepticismo porque me parece que mais facilmente o antropólogo se tornará um peão no seio do exército americano, ao qual compete cumprir ordens, ordens que muitas vezes nem eles compreendem, do que possivelmente essa perspectiva seja alcançada.

    Àcerca deste assunto ver: Taxi to the dark side,
    filme documentário vencedor de vários prémios este ano.

    Aqui ficam demonstradas pelo menos duas coisas:
    os soldados não são feitos para pensar; o exército não é feito para pensar, mas para cumprir ordens e os direitos humanos são violados sob a desculpa de se estarem a proteger os direitos humanos.


  5. Ok. Não encontrei a versão portuguesa, mas aqui vai o texto publicado no Le Monde Diplomatique sobre os HTS, de que a Carolina falou

    http://mondediplo.com/2008/03/04anthropology


  6. […] do que de tradução. Este episódio quase que justificaria a necessidade – fundamento das “Human Terrain Systems” no exército americano – da presença de um cientista social que interpretasse o significado da história que o ancião […]



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