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CÓDIGO DE ÉTICA DO ANTROPÓLOGO

Abril 16, 2008

CÓDIGO DE ÉTICA DO ANTROPÓLOGOConstituem direitos dos antropólogos, enquanto pesquisadores:
1. Direito ao pleno exercício da pesquisa, livre de qualquer tipo de censura no que diz respeito ao tema, à metodologia e ao objecto da investigação.
2. Direito de acesso às populações e às fontes com as quais o pesquisador precisa trabalhar.
3. Direito de preservar informações confidenciais.
4. Reconhecimento do direito de autoria, mesmo quando o trabalho constitua encomenda de órgãos públicos ou privados e protecção contra a utilização sem a necessária citação.
5. O direito de autoria implica o direito de publicação e divulgação do resultado de seu trabalho.
6. Os direitos dos antropólogos devem estar subordinados aos direitos das populações que são objecto de pesquisa e têm como contrapartida as responsabilidades inerentes ao exercício da actividade científica.

Constituem direitos das populações que são objecto de pesquisa a serem respeitados pelos antropólogos:

1. Direito de ser informadas sobre a natureza da pesquisa.
2. Direito de recusar-se a participar de uma pesquisa.
3. Direito de preservação de sua intimidade, de acordo com seus padrões culturais.
4. Garantia de que a colaboração prestada à investigação não seja utilizada com o intuito de prejudicar o grupo investigado.
5. Direito de acesso aos resultados da investigação.
6. Direito de autoria das populações sobre sua própria produção cultural.

Constituem responsabilidades dos antropólogos:

1. Oferecer informações objectivas sobre suas qualificações profissionais e a de seus colegas sempre que for necessário para o trabalho a ser executado.
2. Na elaboração do trabalho, não omitir informações relevantes, a não ser nos casos previstos anteriormente.
3. Realizar o trabalho dentro dos cânones de objectividade e rigor inerentes à prática científica.

 

 

Daniela

3 comentários

  1. Talvez um melhor título para esta entrada fosse: UM código de ética do antropólogo. Diferentes associações ou corporações produziram diferentes códigos de ética do Antropólogo, em diferentes momentos e contextos. Na verdade, como sempre estamos repetindo, também eles são produtos culturais. Convem referir quem produziu este, e quando… e, quiça, juntar-lhe outros procurando zonas de consenso…sobretudo depois da aula/discussão de hoje.
    MCS


  2. Para os interessados em consultar mais um código de ética para antropólogos (é sempre curioso comparar estes “produtos culturais”), deixo aqui o link para a proposta da AAA, de 1998: http://www.aaanet.org/committees/ethics/ethcode.htm (não sei se é o mais recente da associação). Em relação ao publicado pela Daniela, há uma coisa que salta logo à vista: o rácio direitos/deveres…

    Ao que parece, este código vem no seguimento dos trabalhos de uma comissão de análise para a revisão que, a certa altura, escreve no seu relatório:
    [a propósito dos pontos críticos a rever no código de ética antigo]

    “Relativism
    The Commission considered what implications views about cultural relativism and moral relativism might have on development of a AAA code of ethics. !!What moral authority does the AAA have to create a code of ethics if espousal of cultural relativism leads to the position that the moral codes of different cultures are morally equal? The Commission took the view that cultural relativism is an important intellectual stance enabling a researcher to study how and why people act as they do. To prejudge the morality of people, to be concerned with how people ought to act before finding out how they do act, would skew the research.
    However, acceptance of “cultural relativism” as a research and/or teaching stance does not mean that a researcher or a teacher automatically agrees with any or all of the practices of the people being studied or taught about!! , any more than any person is required to accept each practice of his or her own culture as morally acceptable. Segregation in the US was an accepted practice even though many US residents found it morally corrupt, and the institution of slavery is worthy of study even if the practice is considered immoral.
    Also, since adopting the Principles of Professional Responsibility in 1967, the Association has been on record accepting the position that the discipline/profession should be guided by clearly stated ethical concepts.
    The questions of the AAA’s moral authority to create a code of ethics have to do with the purposes and reach of the code, not with the moral authority of the AAA to do so.”
    (http://www.aaanet.org/committees/ethics/ethrpt.htm; considerem em itálico o que está entre os “!!”, são meus, não consegui formatar o texto).

    Relativismo cultural, moral e ética; quando li isto vi os debates da “AAA e Direitos Humanos” e da “Militância” misturarem-se. O que está citado não serve directamente aos casos-limite que debatemos em aula, mas remete-nos de novo para a questão da fronteira: o que é que separa o trabalho de investigação antropológica, com algum relativismo, seguindo “a ética” e não julgando, de um trabalho estilo Scheper-Hughes?
    (Eu voto na sensibilidade pessoal e, mesmo admitindo a irrealidade prática da coisa, na separação dos papéis de antropólogo e “indivíduo moral”.)


  3. Concordo absolutamente. Acho que a discussão com a Filipa Alvim, sobre o tráfego de pessoas mostrou claramente como essa (tentativa) de separação pode ajudar a revelar as realidades de outra forma: uma perspectiva moralizante levar-nos-ia, certamente, a ‘aderir’ à categorização de ‘tráfego’ sem a questionarmos e, eventualmente, a ter pouco mais a sugerir para a resolução dos problemas que são ‘ali’ colocados, precisamente porque a solução não reside ‘ali’, mas como ela sugeriu, na «cebola toda». Fixar-nos num ponto dramático, tira-nos a perspectiva e desvia-nos o olhar de outros pontos e redes onde o drama entronca, e onde deve ser procurada a sua explicação, logo a sua resolução. O problema é conseguir esse duplo exercício de explanação, sem descurar, com isso a existência de dramas individuais reais. Acho que a chave talvez se encontre (neste, como emmuitos outros casos)em tomá-los como motor moral da pesquisa, mas recusá-los como seu horizonte



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