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Objectivos para o Desenvolvimento do Milénio

Outubro 19, 2009

Para ajudar a pensar modelos de desenvolvimento deixo aqui um link sobre um dos assuntos abordados pela investigadora Ana Benard da Costa: http://resistir.info/samir/objectivos_desenvolvimento_milenio.html. Nesta página encontramos os 8 objectivos da Declaração do Milénio acordados por 191 países da ONU e, uma análise crítica do Samir Amin. Esta declaração, é pensada por 191 países. Andei a ver se conseguia encontrar a resposta à pergunta: quantos países tem o mundo? – e, deparei-me com tantas perguntas, respostas e questões que não consegui avançar em direcção a uma conclusão. No entanto, achei que seria curioso perceber quantos e quem decide por quantos e por quem.

ML

4 comentários

  1. Aproveito para lembrar que existe um conjunto de Agentes ODM espalhados por Portugal, eu admito, sou um deles. Mas qualquer um de vocês pode ser, basta que façam a formação. Deixo-vos por isso o link da Agência ODM para que se possam manter informados e quem sabe até participativos:

    http://www.agenciaodm.org


  2. António
    Ficamos á espera que partilhes essa experiência connosco!
    MCS


  3. Diz um ditado Chinês que : “Mais vale acender uma luz do que amaldiçoar a escuridão”.

    Pequena reflexão acerca dos objectivos do milénio.

    Objectivo 1: Redução da pobreza extrema e da fome à metade.
    Um objectivo piedoso? Redução para metade? Isso serve de consolo, quando a outra metade irá morrer de fome? E os outros, aqueles que morrerão por excesso calórico, as mesmas calorias que salvariam os tais 50%. Dados recentes da ONU (que eu não tenho mas agradeço a quem tenha que mos forneça) parecem dizer que a Terra produz actualmente calorias suficientes para alimentar toda a humanidade. Seria então necessária a tal Igualdade, Liberdade, Fraternidade para que todos pudessem comer o suficiente todos os dias. Como não sei onde param estes ideais, não sei se este é um bom objectivo. Ainda assim, algumas considerações: vamos atingir este objectivo como? Distribuindo igualitariamente os alimentos que toda a Terra produz? Ou vamos exigir à China, à Índia e ao Brasil que parem de se reproduzir, porque o planeta está exausto? E como se faz essa exigência? Neste momento na Índia já é proibido dar a conhecer às futuras mães o sexo do bebé que vai nascer, porque se for menina possivelmente nem nascerá. Na China são conhecidos os resultados de uma política férrea de controlo de natalidade, “uma família, um filho”. Quando uma nova criança vem a mais, pode ser um problema com desfecho cruel. Ora, se não pararmos de crescer em termos de números, e estando a Terra no limite da sustentabilidade, com uma perca assustadora da cobertura verde, aquecimento global, perca de biodiversidade. Onde fica este objectivo piedoso? Alguém me ajuda a obter uma resposta?

    Objectivo 2:Alcançar a educação primária universal.
    Como educar toda a população, se uma boa parte está com fome? Alguém acredita que uma criança com fome pode ser educada? Ou será que está a falhar ao estudante de Antropologia algum parâmetro que solucione esta dúvida? E que educação, a universal? E onde fica o relativismo cultural. Poderá haver uma educação universal num mundo que não quer esse universalismo?

    Objectivo 3: Promover igualdade de género e dar poder às mulheres.
    A mesma dúvida. Será que todas as mulheres do mundo querem essa igualdade? Será que os detentores do poder (os homens) querem ceder esse poder às mulheres? Ou será que o mundo ocidental as deverá disciplinar desde a escola primária, para que em adultas eles possam aceder ao livre arbítrio?
    Objectivos 4, 5 e 6: (Relativos à Saúde) reduzir a mortalidade infantil para dois terços e a mortalidade maternal em três quartos; parar com a disseminação de doenças pandémicas (SIDA, malária, tuberculose).
    Como atingir estes objectivos, quando a fome é endémica, a educação uma miragem, o interessem em desenvolver novos medicamentos que apenas pode ser feito por países desenvolvidos? A malária é de longe o maior assassino da humanidade. No entanto, está longe de ser uma prioridade real dos laboratórios. Porquê? Porque a malária ataca sobretudo entre os trópicos, que é como quem diz, o 3º mundo. E alguém acha que o 1º mundo se preocupa realmente com a salvação dessas pessoas? Conquanto possam continuar a ir lá buscar matéria prima….

    Objectivo 7: Garantir a sustentabilidade ambiental.
    Talvez. Muitos países ocidentais começam já a desenvolver políticas de ambiente sustentável. Veja-se o caso Português com a construção de inúmeros parques eólicos com impacto real na redução de emissões de CO2. Parece-me ser verdade uma preocupação com estas questões. Mas de que valem, quando a China e a Índia constroem centrais eléctricas a carvão a um ritmo alucinante – Tal como os EUA. De que vale o esforço da Europa, quando o resto do mundo bate o pé e diz que quer o mesmo nível de vida, mesmo sabendo que estamos a delapidar recursos que não são inesgotáveis? E a lógica capitalista coaduna-se com estes objectivos? Os capitalistas são ecológicos e preocupam-se com a sustentabilidade?
    Um exemplo positivo foi o banimento dos CFS nos anos 90. Estas moléculas, inofensivas ao nível do solo, ao subirem destroem o ozono (formula molecular O3). Ora essa pequena camada de ozono é tudo o que nos protege dos mortais ultra-violeta. Se o ultravioleta solar chegar por inteiro ao solo a vida deixa de ser sustentável. Esta consciência levou a que, durante os anos 90 se tenha conseguido, apesar das resistências, banir os CFS. Entretanto, a monitorização dos buracos do ozono (sobre os pólos) diz que de facto o processo está em reversão). Vamos deixar que em nome do relativismo cultural os grandes países em desenvolvimento – os BRIC- comentam os mesmos erros que os EUA e a Europa cometeram nas últimas décadas? A que preço, para toda a Humanidade?
    Objectivo 8: Desenvolver uma parceria global para o desenvolvimento.
    Alguém acredita que ao nível dos governos dos países ditos do 1º mundo essa pareceria global seja por eles desejável? Ou será que apenas interessa ir ao 3º mundo buscar matérias primas, transformá-las, e vendê-las de novo a esses mesmos países do 3º mundo a um preço elevado, contribuindo assim para o seu progressivo empobrecimento, enquanto o bem-estar do 1º mundo aumenta na mesma proporção? O liberalismo selvagem preocupa-se com estes factos?

    Peço desculpa pelo descrédito e pessimismo, mas de facto tenho mais dúvidas que certezas.
    É no entanto claro para mim que alguma coisa se vai fazendo. O mundo é apesar de tudo melhor hoje, do que era em 1968 quando nasci. Apesar da imensa tarefa a que se propõem as pessoas de boa-vontade, só o facto de formular estes objectivos (ou outros, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos) é já per se louvável. Daí o ditado: “Mais vale acender uma luz do que amaldiçoar a escuridão”.
    Porque a escuridão é imensa, e a luz é pequena e trémula. Mas pode ser tudo o que temos para nos iluminar o caminho!

    Ficam ainda muitas dúvidas sobre o papel que o Antropólogo pode e deve ter. A Antropologia nunca se constituiu como uma ciência independente. Pelo contrário, ao longo da sua história serviu muitas vezes para legitimar práticas e ideais que hoje nos repugnam. Não creio que hajam respostas fáceis, mas acredito que perguntar pode já ser um ponto de partida para uma reflexão que possa pelo menos minorar o imenso sofrimento humano. Mas acerca do papel do Antropólogo ficará para um próximo post.

    Cordialmente

    Sérgio Caldeira


    • Ok Sérgio! Depois dos statements pessoais, ficamos então à espera dos statements, enquanto antropólogo…



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