Archive for 27 de Novembro, 2011

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Words of Women from the Egyptian Revolution

Novembro 27, 2011

Aqui ficam 3 trailers visionados no curso “Feminismos Árabes e Feminismos Islâmicos”. Do projecto Palabras de las Mujeres de la Revolución Egipcia, de Leil Zahra Mortada.

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Novembro 27, 2011

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Novembro 27, 2011

 

Catarina Correia

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Curso Livre – Feedback

Novembro 27, 2011

Hoje decorreu o curso “Feminismos árabes e Feminismos islâmicos”. De entre todo o painel de oradoras, gostaria de salientar: M. Laura Rodríguez Quiroga (feminista islâmica espanhola), Shahd Wadi (feminista secular árabe, palestiniana) e Teresa Toldy (feminista secular portuguesa).

Laura Quiroga começou por introduzir ao tema do feminismo islâmico, tratando de questões como a pluralidade do sujeito feminino, as representações estereotipadas do imaginário “ocidental” e a compatibilidade entre feminismo e Islamismo, isolando algumas teses principais do feminismo islâmico, como seja: a hermenêutica (reivindicação de uma diferente interpretação do Corão); a teológica (o espírito não tem sexo); a filosófica e histórica (o trazer de volta pelo discurso mulheres eliminadas da História), entre outras.

Shahd Wadi, introduziu ao feminismo árabe (“pós-exótico”), nem sempre feminismo islâmico. Tocou brevemente na questão do véu, apenas para alertar quanto à limitação de um discurso focado no véu (Quiroga não referiu sequer em algum momento o véu). A sua intervenção ficou marcada pelo tema do corpo (feminino) enquanto instrumento de controlo, por exemplo, a violação com objectos, de que muitas mulheres muçulmanas são alvo durante as guerras, de forma a manchar a sua honra. Mas não só nas guerras, nas revoluções também. Muitas mulheres que se manifestavam na praça Tahrir (Egipto) durante a actual “Primavera Árabe” foram presas e submetidas pelos militares a um teste à sua virgindade, usando os dedos. Esta situação não nos chegou através dos meios de comunicação social (infelizmente, como é de esperar), mas também, segundo Wadi, foi abafada pelos media egípcios…

Contudo, actos de libertação através do corpo são julgados pelos media e opinião pública (grupos feministas islâmicos, grupos políticos de esquerda, etc.), em termos gerais. Enquanto o corpo nu/semi-nu de uma mulher, usado para fins comerciais como objecto sexual, é tolerado, o corpo nu de uma mulher descalça, desmaquilhada, frontal, em jeito de “conversa política” é criticado.

Teresa Toldy falou-nos de “Quando os direitos humanos se transformam em álibis”, de como a partir do 11 de Setembro houve um reflorescimento da mentalidade colonialista – o “outro” terrorista”, o “outro” martirizado (especificamente, as mulheres e o véu…), trazendo à tona o Orientalismo, de Said. Outro conceito utilizado é o da “hiper-ritualização” de Goffman, ou seja, o retratar da realidade de forma exagerada. Toldy chama assim a atenção para um erro comum de alguns discursos feministas ao caírem na universalização do modelo ocidental, sem tomar em conta as especificidades de cada contexto etnográfico. Nem culturalismo nem universalismo.

Pessoalmente, não esperava uma tão grande variedade de discursos e experiências, uns e outros complementares entre si. Bastante esclarecedor!

Sugestão de livro: Women and Gender in Islam: Historical Roots of a Modern Debate, Leila Ahmed.

Catarina Correia