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Comentário/crítica à publicação da colega Raquel Faria

Outubro 13, 2014

Olá a todos. Sou novo nestas lides de blogs mas vou tentar dar aqui a minha opinião em relação ao post da Raquel Faria “Matar é fácil” que chamou alguma atenção e achei interessante comentar.

Penso que haverá certamente algumas questões aqui a ter em conta e que merecem ser reflectidas com alguma profundidade.

A começar pelo próprio “Fábio”. Um nome que por razões óbvias (ou não) não é o verdadeiro e que está a ser utilizado como se de um novo ser se tratasse. Um alter-ego de alguém que afirma seguir segundo a Raquel, as palavras do Alcorão e que se identifica com a luta por uma causa que na minha opinião desconhece – em seguida tentarei explicar porquê. Poderemos estar perante a emergência de um indivíduo que simplesmente procura uma espécie de novo endereço para a sua vida e que (sendo verdadeira a entrevista) encontrou motivação neste grupo.

Por outro lado temos a questão dos media e da agenda setting. Uma grelha de assuntos seleccionados pelos media em vez de outros e que fazem a ordem dos dias. Assuntos esses que promovem o debate e a consequente opinião pública. Sem ler a entrevista, nesta capa podemos encontrar dois valores notícia importantíssimos para as manobras de debate e de opinião pública. São eles a morte e a proximidade como escreveu o ex-docente da FCSH Nelson Traquina na 2ª edição da sua obra “O que é Jornalismo”

Morte – “Onde há morte, há jornalistas. A morte é um valor-notícia fundamental para esta comunidade interpretativa (jornalistas) e uma razão que explica o negativismo do mundo jornalístico que é apresentado diariamente nas páginas dos jornais ou nos ecrãs de televisão” (Traquina,2007)

Proximidade – “sobretudo em termos geográficos, mas também em termos culturais…” (Traquina,2007).

Temos aqui uma situação de um jovem português (que nos é próximo) e que diz que “matar é fácil” e que por outro lado poderá morrer também.

Mesmo com a possibilidade de edição que este tipo de entrevistas permitem, partirei do princípio que a citação exposta na capa da revista foi dita pelo Fábio e que me levou à crença de poder denotar uma eventual confusão, uma crise de identidade por parte deste jovem – “Matar é fácil, sou capaz de matar qualquer um que lute contra o Islão”.

Vejamos: O Islão é uma religião! Penso que até aqui estamos de acordo. A luta a que eventualmente este jovem se refere é uma luta entre os estados unidos e aliados contra o Estado Islâmico e não contra o Islão. Não é uma luta entre países ocidentais e os países do médio oriente, não é uma luta a favor da irradicação do Islão como religião mas sim uma luta entre os EUA e os seus aliados e um grupo que emerge e que se quer afirmar como uma instituição dominante de todas as formas de pensamento, sejam elas laicas ou pertencentes a outros grupos igualmente islâmicos ou muçulmanos. É um grupo extremista que não representa uma religião no seu todo e que nem se quer como representante, como aliás foi visto há uns dias por um vídeo feito por um grupo de activistas britânicos que afirma que o Estado Islâmico não os representa. O vídeo pode ser visto no link abaixo:

http://p3.publico.pt/actualidade/politica/13844/o-ei-nao-representa-estes-jovens-muculmanos-britanicos

É um grupo que utiliza as mais bárbaras formas de violência para fazer valer a sua vontade de impor o califado no maior número de países possíveis.

Ora tentando agora me distanciar um pouco, sendo eu estudante e um indivíduo vivente na Europa, todo este raciocínio vai ao encontro de toda a informação ocidental que circula todos nos nossos meios de informação. Existem muçulmanos a viver em muitos países do mundo e não creio que exista definitivamente uma guerra entre religiões mas sim entre os seus extremos. Uma guerra entre duas ou mais novas formas de totalitarismo ou contra a proliferação do fanatismo e a idolatria que absorvem a mais nobre capacidade humana que é a capacidade de pensar.

Tudo isto terá razões históricas certamente ligadas também à questão da Sharia’a como se pode ler no texto de Coulson – “A History of Islamic Law”. Neste texto que aborda todo o desenvolvimento da lei Sharia’a (lei divina) desde o seu conceito tradicional até ao seu conceito moderno, numa parte introdutória, Coulson afirma que em contraste com o sistema jurídico baseado na razão humana (e que é mais característico dos países ocidentais), a lei divina possui duas grandes características

  • É um sistema rígido e imutável que incorpora normas de uma validade absoluta e eterna e que não é susceptível de modificação por qualquer autoridade legislativa
  • Para as muitas e diferentes pessoas que constituem o mundo do Islão, o divino ordenou Sharia’a para representar o padrão de uniformidade contra a variedade de sistemas jurídicos que seriam um inevitável resultado se a lei fosse produto da razão humana baseada em circunstâncias locais e em necessidades particulares de determinada comunidade.

Estas características permitem-nos perceber a incompatibilidade da lei islâmica com outras formas de legislação modernas ocidentais. Apesar de tudo, penso que as leis são minimamente respeitadas e reconhecidas quer pelo oriente, quer pelo ocidente. A raiz do problema está nos extremos.

Poderá ainda existir alguma ambivalência entre conceitos por várias pessoas que se dizem a favor ou contra o Estado Islâmico. Partindo da análise da capa desta revista, o Fábio poderá ser uma delas. “Matar é fácil…”, matar o pensamento parece-me ser uma tarefa mais difícil.

Nelson Boa Morte. 38078. Ciências da Comunicação

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