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Conceitos

Dezembro 13, 2018

Visto que não consigo entender o funcionamento da Bolsa de Conceitos do blog, colocar-los-ei directamente num post.
Tendo-lo feito em formato de estudo, peço que corrijam [os meus colegas e não a professora] qualquer falha ou erro na sua definição;

Asabiyya

“Espirito do corpo” – conceito que se refere a uma solidariedade comum entre os grupos tribais beduínos, sendo que cada individuo faz parte da unidade (corpo) em que se insere. Também pode ser entendido como relações de parentesco;

Awlad Ali

Grupo étnico Beduino na zona do deserto do Sahara no Noroeste do Egipto. Grupo estudado por Leila-Abu Lughod na sua obra “Veiled Sentiments“;

Qyias

Referente à Lei Islâmica. Raciocinio análogo aplicado à dedução de princípios jurídicos do alcorão e das sunnas, tendo surgido como necessidade normativa após a morte de Maomé e expansão do Islão. Integrado nas quatro fontes da lei islâmica (Alcorão, Sunna, Ijma, Qyias). Pode ser considerado uma variante do conceito geral Ijtihad

(In. Enciclopedia Britannica: Qyias)

Sunna

[Prática habitual] – Corpo das tradicionais práticas e costumes sociais e legais islâmicos;

Qabila

Tribo;

Sharia / Xaria;

Comumente definido como “Lei Islâmica” refere-se à Palavra divina de Deus . Não havendo separação entre religião e o direito em muitas das sociedades Islâmicas, a Sharia actua como forma de regulamentação jurídica e moral através de várias fontes (de forma hierárquica) : O Alcorão, os Hadiths (leis, lendas e histórias sobre a vida de Maomé) , a Ijma, e as Qyias.  Para determinar a Lei Islâmica em si (ou jurisprudência Islâmica) o termo correcto será Fiqh. O Fiqh pode(ria) ser sujeito a Ijtihad, enquanto que a Sharia não. Enquanto que as fontes da Sharia são aquelas mencionadas em cima, as fondes do Fiqh é a própria Sharia;

Hurr / Hurria

Liberdade;

Arkan al Islam

Cinco pilares do Islão: Shahada (profissão de fé), Salah (cinco orações diárias), Zakat (Caridade), Sawm, (jejuar no mês do ramadão), Hajj (peregrinação a meca pelo menos uma vez na vida);

Cabilia

Região no Norte da Argélia. Terreno de estudo de Pierre Bourdieu na sua reflexão “sobre a casa e a familia” na obra “Esboço de uma teoria Prática”;

Ghinawas

Pequenos poemas característicos do grupo étnico Awlad Ali. Veículo de transmissão de emoções e sentimentos numa sociedade onde a honra é altamente valorizada;

Amazigh

Grupo étnico autóctone do Norte de África. Partilham a língua e a escrita de mesmo nome;

Mulk

Soberania;

Qaaba / Kaaba

Principal local de culto para a religião Muçulmana. Situado na Arábia Saudita, na cidade de Meca, é visto como o local mais sagrado do mundo, sendo o principal destino durante a Hajj;

Umma

[Nação/Comunidade], Refere-se a toda a comunidade muçulmana, podendo também referir-se a qualquer comunidade que siga a palavra de um profeta. A comunidade Judaica e Cristã eram também consideradas parte da Umma quando se dá o inicio do Islão;

Allah

Deus;

Halal / Haram

Halal “o que é permitido”, em oposição a Haram “o que é proibido”. Muitas vezes associados exclusivamente à alimentação pela sua ligação às proscrições alimentares. Não sendo exclusivo destas normas alimentares, destinam.se a formas de comportamento autorizados ou proibidos. O consumo de certo tipo de alimentos, ou mesmo a mistura entre eles é alvo destas formas de regulamentação religiosa;

Moudawana

Código de Familia, na lei marroquina. Relacionado com regulamentações do casamento, poligamia, divórcio herança, etc. Codificado após independência colonial;

Ijtihad

“Esforço de Reflexão”, Formas de interpretação dos Textos do Islão (Sunnas e Alcorão), por parte dos juristas muçulmanos (Mujtahid). Apenas a fação muçulmana Xiita ainda pratica o Ijtihad, sendo que o Sunismo segue a prática de Taqlid (imitação);

Tawhid

“Monoteismo” Crença na unicidade de Deus (Allah ). Expresso num dos cinco pilares do Islão (Sahada) “Não há outro Deus além de Allah, e Maomé é o seu Profeta.”;

Ijma

Consenso da Umma em assuntos religiosos;

Beduínos

Definição dada a grupos étnicos vários que habitam em zonas áridas, normalmente no Deserto;

Médio Oriente

Concepção geo-politica criada pelo Império Britânico para fazer referência aos países árabes situados desde o norte de África à zona Orcidental da Ásia, assim como certos países o extremo Oriente da Europa;

Fontes da Lei Islâmica

Alcorão, Hadith (tradição do profeta e seus seguidores), Ijma, Qyias;

Berberes

Termo pejorativo utilizado comumente para se referir ao grupo étnico Amazigh. Berber vem da palavra Bárbaro, sendo que o termo era utilizado para se referir aos povos que habitavam no deserto, e que seriam vistos como inferiores;

Alcorão

Livro sagrado do Islão, que contém as supostas palavras transmitidas a Maomé por Allah. Composto por 114 capítulos (Suras);

Hégira (Hijra [Não confundir com Hijra que no contexto paquistanês se refere a um formato de terceiro género]

Fuga de Maomé de Meca para Medina, no ano 622, primeiro ano do calendário Islâmico;

Meca

Cidade na Arábia Saudita considerada a mais sagrada no Islão. Importante centro comercial no período de vida de Maomé, foi o primeiro local onde o mesmo professou a palavra do Islão, antes de ser expulso (ver Hégira) para Medina;

Medina

Cidade na Arábia Saudita para onde Maomé foge no ano de 622, e onde mais tarde governa. Foi a primeira cidade regulamentada pelos princípios do Islão, quando Maomé sobe ao poder e se torna seu governante;

Sunismo

Maior Facção do Islão, com cerca de 80% dos crentes muçulmanos pertencentes a ela. Consideram que após a morte de Maomé, qualquer Califa poderia seguir a governação professada pelo Profeta, após devido consenso;

Xiismo

Segunda maior fação de crentes muçulmanos (cerca de 12%). Consideram que após a morte de Maomé, a sua herança devia seguir princípios genealógicos. Sendo que Maomé não teve filhos (homens), o papel estaria destinado a Ali, marido da filha do profeta (Fátima);

Constituição de Medina

Carta elaborada por Maomé, tem como objectivo a criação de um acordo formal entre a recém chegada e hegemónica fé muçulmana e todas as tribos que já la habitavam (em medina, então conhecida como Yathrib) – isto inclui judeus cristãos e outros crentes em fés pagãs.

3 comentários

  1. Julgo que mulk é mais do que mera soberania, sendo essa uma simplificação demasiado excessiva. No entanto também não consigo avançar muito para esse conceito, mas Joaquin Sanmartín (sobre a História do Médio Oriente Antigo) usa também esse termo para relações não só de “monarcas” mas também de “honra dos homens através do mulk”. Ele fala daquilo que são os “me” da soberania (não abordados na aula de Contextos mas sim no meu curso) que, de modo genérico eram todos os ingredientes (abstractos e materiais) de que determinado ensi (chefe) se nutria para poder reger uma terra (isto no 2º milénio a.C.). Desconheço se a evolução do termo acádico acabou por declinar noutro sentido, contudo esse autor é consensual em relação àquilo que nos diz também Ibn Khaldun no séc. XIV. Também refere que é o confronto entre a asabyya e o tal mulk que justificam a expansão do Islão. Podias era também ter colocado um conceito muito debatido em aula e pouco ao mesmo tempo que é o de “emancipação”. Etimologicamente vem do latim “e”+”manus”+”capio”(traduzindo à letra “da”+”mão”+”capturar”), que simbolizava o acto de libertação dos escravos na Roma Antiga. Eles eram soltos, por assim dizer, precisamente quando o seu senhor lhes colocava a mão na cabeça (isto é uma cortesia das minhas aulas de Latim.) Curiosamente esse termo nada polissémico, hoje é atribuído a mais do que uma só coisa, entre as quais o famoso feminismo. Quem diria que os movimentos feministas teriam por base um termo de escravatura? Bom, mais do que isso, Zé, era teres colocado os termos por ordem alfabética 😉


  2. Boa Zé!…e já que me pedes para não corrigir (e porque não encontrei nada demasiado grave…pelo contrário), pelo menos agradeço! Já que nenhum dos colegas o fez 😦

    MCS


    • Ainda bem que não se encontraram erros [demasiado graves]. E neste ciclo de cordialidades agradeço o agradecimento. Quanto aos meus colegas, fizeram-no doutras formas ! (Um deles tem os comentários bloqueados, sendo que não o consigo aprovar para aqui aparecer).
      Bom fim de semana, professora !



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