Archive for the ‘antropologia aplicada’ Category

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Convidada, dia 13.10.2009

Outubro 12, 2009

Ana Benard da Costa

É Antropóloga e Investigadora do IICT, trabalhando sobre pobreza e desenvolvimento em Moçambique. É autora de O Preço da Sombra. Pobreza e Reprodução Social entre famílias do Maputo. Lisboa: Livros de Horizonte, 2007.

No dia 13 de outubro falar-nos-á de Desenvolvimento, OnGsD e Antropologia.

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síndrome de ulisses

Março 27, 2009

Em aula, já lá vai algum tempo, tivemos oportunidade de tocar em temas da Antropologia Médica Crítica, uma corrente da AM que se propõe a questionar os modelos e instrumentos biomédicos enquanto ciência inócua, a reflectir e a denunciar, portanto, a sua contextualidade [cultural, histórica…] e participação no sistema político e económico mais vasto – com todas as implicações que isso abarca, ou pode abarcar. Lembrem-se, por exemplo, da Barefoot Anthropology de Scheper-Hughes e do seu trabalho sobre a medicalização da fome, julgo que no Brasil. Esta antropologia é normalmente engajada, e a SH é um exemplo forte da corrente.

Outra questão do âmbito que foi levantada, foi a da Síndrome de Ulisses, recordam-se? Pois é, parece que entra no próximo DSM, O! manual de referência psiquiátrica, como categoria patológica. À síndrome, não fosse ela a do emigrante [com stress crónico e múltiplo], são especialmente vulneráveis os negros, ainda mais se forem mulheres. O seu aparecimento (grande descoberta do Doutor Joseba Achótegui) relaciona-se – por favor, não subscrevo nada disto – com uma vulnerabilidade especial destes grupos, aliada à dissolução das estruturas tradicionais na vida em urbanização, entre outros factores. Para este problema de grande especificidade – os emigrantes, as suas angústias e a sua neuroquímica fantástica – serão desenvolvidos, claro, fármacos adequados.

LGS

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Genes, humanos e direitos

Janeiro 13, 2009

 

Na sequência do nascimento da menina inglesa seleccionada geneticamente para não ter um gene associado a diversos cancros – http://www.euronews.net/pt/article/09/01/2009/british-baby-pre-selected-against-cancer/ -, trago-vos, da UNESCO, a Declaração Universal Sobre o Genoma Humano e Direitos Humanos (1997).

Site oficial: http://portal.unesco.org/shs/en/ev.php-URL_ID=2228&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html

Versão portuguesa: http://www.anvisa.gov.br/sangue/simbravisa/Declaracao%20Genoma%20Humano%20e%20Direitos%20Humanos.pdf

Fica também a lei portuguesa relativa à “Informação genética pessoal e informação de saúde” (12/2005): http://www.cnpd.pt/bin/legis/nacional/Lei12-2005.pdf .

Parece-me que estas coisas têm impacto no mundo e que devem ser pensadas como artefactos humanos importantes. Escolher bebés, tipar medicamente indivíduos por genótipo, correr testes genéticos como avaliação para seguros, patentear genes humanos (muitos!)… tudo isto já está a acontecer e, para variar, vai passando a perna à legislação – porque é ‘flexível’, ou porque simplesmente não existe.

Se calhar os antropólogos, como “especialistas da cultura [processo]“, podem ajudar a compreender o fenómeno, a informar e a desenhar políticas mais eficazes… podem?

LGS

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A antropologia como arma dos militares

Abril 19, 2008

O texto de William O. Beeman publicado na edição portuguesa do Le Monde Diplomatique pode ser lido aqui. (A qualidade da imagem não é a melhor, mas está legível, espero.) A versão em inglês pode ser lida no site do LMD.

Entretanto, no blog Culture Matters, Greg Downey critica o artigo de Beeman , este responde e Downey comenta a resposta.

Um outro artigo, na mesma edição portuguesa do LMD, imputa à antropologia e aos antropólogos a responsabilidade “histórica” pela utilização da etnografia das diversidades étnicas e culturais na construção de uma “política das raças” (segundo a expressão do autor). Diz Alain Ruscio, historiador, no texto “Ao serviço do colonizador“:

“Sempre e em toda a parte, os decisores basearam-se em divisões minuciosamente estudadas pelos eruditos: no Magrebe, berberes/cabilas contra árabes; na Indochina, anamitas contra grupos étnicos minoritários e/ou contra cambojanos; em Madagáscar, hovas contra merinas… Não afirmamos que tais divisões eram artificiais, que foram criadas pelos novos donos e senhores. Mas elas constituíram o húmus da “política das raças”: muito concretamente, essa diversidade humana e étnica das sociedades dominadas foi utilizada para se obter uma divisão permanente.”

… o que remete para a discussão do texto de Lila Abu-Lughod, Writing against culture, e para a sua defesa de um “humanismo táctico” como forma de atenuar o efeito algo perverso da etnografia da “diferença” cultural, efeito esse de reificação e aprofundamento das diferenças.

[CM]