Archive for the ‘Ética’ Category

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«El ‘burka’ llega a nuestras puertas»

Outubro 12, 2009

«El ‘burka’ llega a nuestras puertas» é o título do artigo do ElPais que o Pedro Osório trouxe na semana passada para a aula. Podem lê-lo aqui

MCS

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“algemas invisíveis”

Fevereiro 23, 2009

[Trago-vos uma situação que me foi contada por uma fonte próxima e segura, há poucos dias.]

Amal, empresa do sector metalomecânico, Setúbal.
Trinta jovens vietnamitas são contratados por três anos como soldadores, para ganharem 3euros à hora, quando um soldador típico ganha 10 (ainda que não totalmente declarados). Como é que isto acontece? Ora, estes rapazes estão legais no país e a sua condição é tida como regular. O truque: a empresa justifica a diferença salarial através dos supostos custos de transporte – vinda e regresso –, alimentação e alojamento – o último, consta, sem grandes condições. Convenhamos, porque traria a empresa homens da República Socialista do Vietname se as suas despesas suplementares os colocassem a par dos trabalhadores portugueses?
Nos próximos três anos, os vietnamitas, como são chamados pelos colegas, vão permitir à empresa compensar as oscilações do mercado, constituindo um grupo de mão-de-obra barata sempre disponível, independentemente do volume de trabalho/encomendas – que neste sector tende a variar quase sazonalmente…
Quem me contou isto falava em “algemas invisíveis”. Algemas invisíveis para os vietnamitas – que dificilmente juntam dinheiro para ver a família antes do fim do contrato, e que, alheios a tudo isto, estão até felicíssimos por o terem conseguido; algemas invisíveis para os trabalhadores nacionais, desprotegidos pelo sistema – os brilhantes contratos de 1mês e a possibilidade de se ser dispensado a qualquer momento, ou reivindicação.
Alguns dos trabalhadores portugueses foram dispensados por três dias, depois da chegada dos vietnamitas, tendo sido novamente chamados para um preço/hora mais baixo. Os que não aceitaram estão agora desempregados.
Ao que parece, tudo isto é legal e, acrescentaria, repetível.

LGS

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Genes, humanos e direitos

Janeiro 13, 2009

 

Na sequência do nascimento da menina inglesa seleccionada geneticamente para não ter um gene associado a diversos cancros – http://www.euronews.net/pt/article/09/01/2009/british-baby-pre-selected-against-cancer/ -, trago-vos, da UNESCO, a Declaração Universal Sobre o Genoma Humano e Direitos Humanos (1997).

Site oficial: http://portal.unesco.org/shs/en/ev.php-URL_ID=2228&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html

Versão portuguesa: http://www.anvisa.gov.br/sangue/simbravisa/Declaracao%20Genoma%20Humano%20e%20Direitos%20Humanos.pdf

Fica também a lei portuguesa relativa à “Informação genética pessoal e informação de saúde” (12/2005): http://www.cnpd.pt/bin/legis/nacional/Lei12-2005.pdf .

Parece-me que estas coisas têm impacto no mundo e que devem ser pensadas como artefactos humanos importantes. Escolher bebés, tipar medicamente indivíduos por genótipo, correr testes genéticos como avaliação para seguros, patentear genes humanos (muitos!)… tudo isto já está a acontecer e, para variar, vai passando a perna à legislação – porque é ‘flexível’, ou porque simplesmente não existe.

Se calhar os antropólogos, como “especialistas da cultura [processo]“, podem ajudar a compreender o fenómeno, a informar e a desenhar políticas mais eficazes… podem?

LGS

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O Relativismo Cultural

Maio 8, 2008

Olá a todos os participantes do blog!

Gostava de dizer desde já que o debate da aula de hoje foi bastante interessante!

Todos sabemos que a aceitação do relativismo cultural, como uma doutrina da Antropologia, teve o seu apogeu nos anos 30 com os trabalhos de Margaret Mead e Boas. São estes trabalhos, que de resto começaram com Malinowski, que nos fazem pensar (ou pelo a mim ainda me faz) que a antropologia é uma ciência que parte e tem como método a observação dos fenómenos culturais. Mas também já todos sabemos que o relativismo cultural sempre existiu… mas mesmo virando as costas ao relativismo cultural os antropólogos retiveram o seu empenho moral e emocional perante aqueles que eram vistos como vitimas da civilização ocidental. Este “comprometimento” encontrou a sua expressão naquilo a Sol Tax designou de “antropologia de acção” (fazendo das palavras do autor Washburn, as minhas palavras).

Para se poder debater melhor esta questão, pensei que seria melhor perceber o que significava “antropologia de acção” e as suas implicações éticas. Assim sendo, deixo um link para um texto formulado por dois antropólogos

 

http://www.idrc.ca/en/ev-88061-201-1-DO_TOPIC.html

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A antropologia como arma dos militares

Abril 19, 2008

O texto de William O. Beeman publicado na edição portuguesa do Le Monde Diplomatique pode ser lido aqui. (A qualidade da imagem não é a melhor, mas está legível, espero.) A versão em inglês pode ser lida no site do LMD.

Entretanto, no blog Culture Matters, Greg Downey critica o artigo de Beeman , este responde e Downey comenta a resposta.

Um outro artigo, na mesma edição portuguesa do LMD, imputa à antropologia e aos antropólogos a responsabilidade “histórica” pela utilização da etnografia das diversidades étnicas e culturais na construção de uma “política das raças” (segundo a expressão do autor). Diz Alain Ruscio, historiador, no texto “Ao serviço do colonizador“:

“Sempre e em toda a parte, os decisores basearam-se em divisões minuciosamente estudadas pelos eruditos: no Magrebe, berberes/cabilas contra árabes; na Indochina, anamitas contra grupos étnicos minoritários e/ou contra cambojanos; em Madagáscar, hovas contra merinas… Não afirmamos que tais divisões eram artificiais, que foram criadas pelos novos donos e senhores. Mas elas constituíram o húmus da “política das raças”: muito concretamente, essa diversidade humana e étnica das sociedades dominadas foi utilizada para se obter uma divisão permanente.”

… o que remete para a discussão do texto de Lila Abu-Lughod, Writing against culture, e para a sua defesa de um “humanismo táctico” como forma de atenuar o efeito algo perverso da etnografia da “diferença” cultural, efeito esse de reificação e aprofundamento das diferenças.

[CM]

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CÓDIGO DE ÉTICA DO ANTROPÓLOGO

Abril 16, 2008

CÓDIGO DE ÉTICA DO ANTROPÓLOGOConstituem direitos dos antropólogos, enquanto pesquisadores:
1. Direito ao pleno exercício da pesquisa, livre de qualquer tipo de censura no que diz respeito ao tema, à metodologia e ao objecto da investigação.
2. Direito de acesso às populações e às fontes com as quais o pesquisador precisa trabalhar.
3. Direito de preservar informações confidenciais.
4. Reconhecimento do direito de autoria, mesmo quando o trabalho constitua encomenda de órgãos públicos ou privados e protecção contra a utilização sem a necessária citação.
5. O direito de autoria implica o direito de publicação e divulgação do resultado de seu trabalho.
6. Os direitos dos antropólogos devem estar subordinados aos direitos das populações que são objecto de pesquisa e têm como contrapartida as responsabilidades inerentes ao exercício da actividade científica.

Constituem direitos das populações que são objecto de pesquisa a serem respeitados pelos antropólogos:

1. Direito de ser informadas sobre a natureza da pesquisa.
2. Direito de recusar-se a participar de uma pesquisa.
3. Direito de preservação de sua intimidade, de acordo com seus padrões culturais.
4. Garantia de que a colaboração prestada à investigação não seja utilizada com o intuito de prejudicar o grupo investigado.
5. Direito de acesso aos resultados da investigação.
6. Direito de autoria das populações sobre sua própria produção cultural.

Constituem responsabilidades dos antropólogos:

1. Oferecer informações objectivas sobre suas qualificações profissionais e a de seus colegas sempre que for necessário para o trabalho a ser executado.
2. Na elaboração do trabalho, não omitir informações relevantes, a não ser nos casos previstos anteriormente.
3. Realizar o trabalho dentro dos cânones de objectividade e rigor inerentes à prática científica.

 

 

Daniela

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Antropologia@guerra

Abril 7, 2008

Algumas ligações para reacções à participação de antropólogos nas equipas “Human Terrain Systems” do exército americano em cenários de guerra:

Savage Minds (anthropology at war);

antropologi.info (ethics; applied anthropology)

open anthropology (colonialism/imperialism; militarizing anthropology)

American Anthropological Association (AAA Board Statement on HTS; AAA Public Affairs – blog para discussão sobre a participação de antropólogos no HTS; AAA final report)

Anthropology.net (US Army is Embedding Anthropologists; Anthropologists in the Military; The AAA decides to oppose HTS Anthropology; More on the AAA’s decision to oppose the HTS)

Culture Matters (applied anthropology; ethics)

Declaração de Marshall Sahlins (carta aberta ao NYT)

Texto de David Price (“Pilfered Scholarship Devastates General Petraeus’s Counterinsurgency Manual”)

Artigo de Roberto J. Gonzalez (“We Must Fight the Militarization of Anthropology”), que é um dos promotores da Network of Concerned Anthropologists. Esta rede informal divulgou as suas razões num vídeo que pode ser visto na coluna à direita.

E, finalmente, sobre os antropólogos estrategas e defensores dos HTS: Montgomery MacFate e David KillCullen.

[CM]