Archive for the ‘refugiados’ Category

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Marji da Pérsia

Dezembro 1, 2011

O olhar de uma menina de Teerão, Marjane Statrapi, transporta-nos, numa viagem animada, pela história da Revolução Islâmica no Irão. A deposição do Xá (1979) parece prometer um fôlego de liberdade, mas instaura-se uma república islâmica – sob liderança do Aiatolá Khomeini – que agrava a opressão e inaugura um período de conflito violento no país. Persépolis (2007) acompanha, com uma sensibilidade marcante, a juventude de uma mulher iranesa, enquanto apresenta um esboço (etnograficamente denso) do processo de construção de um regime.

Vale a pena ver: para além da lição de história contemporânea (que nos permite pensar melhor, por exemplo, a crise diplomática entre o Reino Unido e o Irão), o filme presenteia-nos com um retrato sociedade de Teerão dos anos 70-90.

Cá está o trailer:

http://www.imdb.com/rg/s/4/video/imdb/vi280101145/

 

 

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síndrome de ulisses

Março 27, 2009

Em aula, já lá vai algum tempo, tivemos oportunidade de tocar em temas da Antropologia Médica Crítica, uma corrente da AM que se propõe a questionar os modelos e instrumentos biomédicos enquanto ciência inócua, a reflectir e a denunciar, portanto, a sua contextualidade [cultural, histórica…] e participação no sistema político e económico mais vasto – com todas as implicações que isso abarca, ou pode abarcar. Lembrem-se, por exemplo, da Barefoot Anthropology de Scheper-Hughes e do seu trabalho sobre a medicalização da fome, julgo que no Brasil. Esta antropologia é normalmente engajada, e a SH é um exemplo forte da corrente.

Outra questão do âmbito que foi levantada, foi a da Síndrome de Ulisses, recordam-se? Pois é, parece que entra no próximo DSM, O! manual de referência psiquiátrica, como categoria patológica. À síndrome, não fosse ela a do emigrante [com stress crónico e múltiplo], são especialmente vulneráveis os negros, ainda mais se forem mulheres. O seu aparecimento (grande descoberta do Doutor Joseba Achótegui) relaciona-se – por favor, não subscrevo nada disto – com uma vulnerabilidade especial destes grupos, aliada à dissolução das estruturas tradicionais na vida em urbanização, entre outros factores. Para este problema de grande especificidade – os emigrantes, as suas angústias e a sua neuroquímica fantástica – serão desenvolvidos, claro, fármacos adequados.

LGS

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Refugiados, outros retratos, de outros pontos de vista

Maio 15, 2008

A Cristina Santinho, na 3ª feira e o Emmanuel Kelekele hoje, ajudaram-nos a percepcionar os refugiados e os direitos de outra forma.

A Cristina  ajudou-nos a entender os dramáticos e tortuosos percursos daqueles que pedem asilo em Portugal, levando-nos nalgumas incursões à medicalização cega e absurda do trauma ( aqui falámos do síndroma de Ulisses).

Para aprofundar o que nos disse podem ler o que escreveu em “Migration, Integration and the Internationalisation of Healthcare”, IMISCOE – Lisboa, Portugal 17-18 de Abril 2008 – Faculdade de Letras de Lisboa (aqui, nos materiais da disciplina).

Outros assuntos de saúde e imigração em http://gisassociacao.blogspot.com

O Emmanuel lembrou-nos, em retrato pungente, uma das realidades mais atentatórias dos Direitos Humanos – a que se vive em muitos locais da República Democrática do Congo – questionando-se sobre a indiferença relativa da “comunidade internacional” e os critérios da sua intervenção em nome dos Direitos Humanos.  Pelo menos para estes efeitos a “comunidade internacional” deveríamos ser todos nós….

Ficamos à espera do material que ficou de nos enviar para colocarmos no Blog: a nossa modestíssima participação na sua luta contra a indiferença.

Merci Emmanuel…et bon courage!

MCS

Cristina Santinho

É Doutoranda em Antropologia no ISCTE e investigadora dos contornos políticos no campo da saúde, desenvolvendo trabalho de campo entre os refugiados. 

Emmanuel Kelekele

É Engenheiro, activista dos Direitos Humanos no Congo e refugiado em Portugal.