Archive for the ‘Uncategorized’ Category

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Dezembro 6, 2018

Sami Naïr ( Tremecén, Argélia, 23 de agosto de 1946) politólogo, filósofo, sociólogo e catedrático francês, especialista em movimentos migratórios e demográficos, afirma estarem de volta ideologias que julgávamos já extintas. E acrescenta: o imparável processo de globalização leva a uma transformação social que ameaça provocar uma quebra acentuada nos direitos e liberdades conquistados nos últimos anos. O pensador, que recebeu em San Sebastián o prémio Ramón Rubial da Solidariedade e Cooperação, acentuou que se terão de aplicar doses de “muito humanismo” para fazer frente à situação actual. Sami, foi galardoado pela seu empenho na “defesa da democracia e da liberdade”, valores que poderão pôr fim ao frenético individualismo que ora se vive! (EL PAÍS, 2108.02.12)

Arnaldo Vasques

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O problema do feminismo islâmico

Dezembro 4, 2018

Este é um texto de opinião que surge do confronto com várias leituras ( Abu-Lughod, Moghadam, Mahmood) e debates nas aulas acerca da condição e experiência das mulheres em contextos islâmicos.

A corrente que pretende não só conciliar o Islão com as pautas feministas, mas também usar o próprio Islão como motor de uma consciência emancipatória, através de leituras do Alcorão sob uma luz alternativa, onde sobressaiam as questões de igualdade de género e agência feminina, é comummente chamada de feminismo islâmico. Posições diversas orbitam esta corrente: desde considerá-la uma contradição em termos ( ou se é muçulmana ou se é feminista) a aplaudi-la como via que se demarca do feminismo anglo-americanizado e hegemónico, passando por enquadrá-la simplesmente numa visão mais ampla, como parte constituinte de um feminismo global.
O maior elogio a atribuir ao feminismo islâmico, penso, prende-se com o facto desta proposta vir descolonizar o feminismo, dissociando libertação feminina do liberalismo ocidental. Não olhar com benevolência para as militantes do feminismo islâmico, é começar a perceber porque é que mulheres afegãs ( envoltas na narrativa da salvação, aquando a invasão do seu país), olham para as mulheres da República Islâmica do Irão com admiração, e quem sabe, como inspiração na condução de seus difíceis destinos (Abu-Lughod, 2002). O facto de as mulheres muçulmanas não invejarem as mulheres ocidentais também pode servir para colocar a ideia romantizada e cristalizada de liberdade feminina no Ocidente em causa, e repensarmos as nossas próprias lutas, que estão tão longe de acabar.
Porém, não retirando os louros das conquistas do feminismo islâmico, quero apresentar uma das vertentes que o torna problemático. O ano passado, assisti a uma palestra na faculdade sobre energia nuclear, como faca de dois gumes no jogo político, conduzida por um jovem intelectual iraniano. Ele apontava o dedo aos EUA, que sob o pretexto de uma ameaça nuclear, atrasavam o Irão no caminho da democratização, apesar desta estar a ser conseguida. Uma aluna na plateia não se conteve, e interrogou-o (e bem) sobre que tipo de democracia obrigava as mulheres a cobrirem-se, mostrando (menos bem)  imagens antes e depois da revolução iraniana para apoiar o seu argumento. O rapaz ficou visivelmente incomodado, respondendo que não se pode acreditar em toda a propaganda que encontramos na internet ( até porque a montagem por ela revelada era dificilmente verossímil, pelo menos para um historiador ou antropólogo). De seguida, como forma de se defender da crítica feita, começa a despejar números que Moghadam corrobora, acerca das mulheres participando nos órgãos políticos, incluindo nos jurídicos, e nos orgãos de comunicação, apresentando igualmente a alta taxa de mulheres que frequentam o ensino universitário no Irão.

Neste comentário, o feminismo islâmico revela-se. Porque se o feminismo é um grito contra estruturas de poder ( económico, político, cultural… configuradas em instituições como o Estado, o mercado, a família, a religião…) que historicamente oprimiram a mulher, a pergunta que testa a “qualidade” desse feminismo não pode nunca ser: quantas mulheres ocupam cargos estatais? Quantas se tornaram CEO de uma firma e quantas são juízas? Quantas estudam em faculdades? A pergunta a ser feita deve antes ser: Esse feminismo, que coloca mulheres no poder, serve as nossas mães e avós? Serve a mulher que limpa as nossas faculdades? Serve a mulher que vive na periferia ou num interior ruralizado?

Nesse aspecto, como nota Moghadam, um paralelismo com o feminismo liberal não é descabido, o que nos leva a concluir que a palavra islâmico em feminismo islâmico é de certa maneira um dog whistle¹, pois acreditando que esta discussão é apenas sobre se a via religiosa é tão válida como a secular no que concerne ao feminismo, aceitamos o reformismo como via possível, quando este não questiona as bases de uma estrutura inerentemente violenta. Considero-me uma feminista e considero-me uma crítica do feminismo liberal. Temo padecer de etnocentrismo ao olhar com desconfiança para o que pode significar feminismo islâmico. Mas se o relativismo é também uma manifestação de racismo, não devo compadecer-me deste tipo de feminismo, até porque ele se abriga num conceito guarda-chuva, igualmente discutível, que é o de feminismo global. Esse é descrito como uma estrutura multifacetada, capaz de «ultrapassar as diferenças ideológicas e de classe, acordando as medidas necessárias para a igualdade e o empoderamento das mulheres»(Moghadam, 2002). Fazer tábua rasa dessas diferenças, sobretudo as de classe, não será pois atrasar a luta pela igualdade das “desempoderadas”?

(Bea)

1- estratégia de comunicação em que um sentido de uma dada mensagem é captado pelo público geral, no entanto através da mesma mensagem, outro sentido encoberto ( e por vezes perigoso) é transmitido

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Racismo no metro do Rio de Janeiro

Dezembro 2, 2018

https://extra.globo.com/noticias/rio/video-mostra-caso-de-injuria-racial-no-metro-nao-quero-que-essa-preta-toque-em-mim-23270982.html

Na passada quinta-feira (29), um vídeo que mostra uma mulher branca a ser extremamente racista para com uma senhora negra no metro do Rio de Janeiro, foi publicado nas redes sociais e fez-me recordar um caso semelhante passado num avião da ryanair, no início de outubro. Até quando estas situações se vão repetir, vezes e vezes sem conta?

(Ana Inês Júlio)

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O artigo 13 #saveyourinternet

Novembro 27, 2018

https://saveyourinternet.eu/

O artigo 13 da nova proposta de lei, da União Europeia, relativamente aos direitos de autor na internet está a ser contestado à larga escala pelos internautas, que já iniciaram o movimento #saveyourinternet . O artigo 13 consiste na defesa dos direitos de autor através da filtragem de publicações pelas plataformas digitais, de modo a que sejam publicadas apenas as que respeitem as regras do copyright, o que irá prejudicar milhares de utilizadores, que todos os dias partilham simples memes, covers de músicas, entre outros, podendo estar a liberdade da expressão posta em causa. No link irão encontrar toda a informação sobre este assunto.

(Ana Inês Júlio)

 

 

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Próximas aulas CAI

Novembro 27, 2018

No próximo dia 30 de novembro vão receber a convidada Raquel Carvalheira que vos falará de família e direitos das mulheres em contextos islâmicos

Bibliografia nos materiais da disciplina

MOORS, ANNELIES, 2003 “PUBLIC DEBATES ON FAMILY LAW REFORM PARTICIPANTS, POSITIONS, AND STYLES OF ARGUMENTATION IN THE 1990S. Islamic Law and Society 10, 1

BUSKENS, Leon, 2003 “RECENT DEBATES ON FAMILY LAW REFORM IN MOROCCO: ISLAMIC LAW AS POLITICS IN AN EMERGING PUBLIC SPHERE*” Islamic Law and Society 10, 1

No próximo dia 4 de dezembro vão receber a convidada Joana Lucas que vos falará de Prescrições Islâmicas e suas leituras contemporâneas. As noções de Haram e de Halal.

Bibliografia nos materiais da disciplina

BERGEAUD BLACKLER, Florence (2003) ” Los nuevos negocios de carne halal …” . Actes du colloque ICAF Hommage à Igore de Garine, 2003, Borja, España. ICAF, 2003

BROWN, R.(2015) “‘Tell me what you eat and I’ll tell you what you are’. The literal consumption of identity for North African Muslims in Paris (France)”, in E.Toguslu (ed.) Everyday Life Practices of Muslims in Europe, Leuven U Press, pp. 41-56

Boas sessões!

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Próxima aulas de ADH

Novembro 27, 2018

Na aula de dia 30  de novembro receberão o convidado Nuno Saraiva que vos falará da Unidade Habitacional de Santo António (UHSA), no Porto, o único centro de detenção em Portugal para cidadãos estrangeiros que aguardam a efetivação de medida de afastamento do território nacional, e que vos falará um pouco também dos direitos dos refugiados em Portugal.

Na aula de dia 4 de dezembro, receberão a convidada Catarina Fróis que vos falará do trabalho nas prisões, metodologia e ética, questões marginalidade, crime e justiça – focando prisões de homens e mulheres.

http://www.tintadachina.pt/book.php?code=3e4db430888ac7d6587851382c90758e

  • Fróis, Catarina, 2016, “Close insecurity: shifting conceptions of security in prison confinement” Social Anthropology/Anthropologie Sociale (2016) 0, 0 1–15.

nos materiais da disciplina

Boas sessões,

 

 

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do que falamos quando falamos do véu

Novembro 24, 2018

A comediante Cátia Domingues possui uma rubrica no canal Q que consiste em responder a comentários caricatos ( dentro de um espectro já conhecido, que vai da ignorância ao discurso de ódio) de alguma notícia. A última edição analisava em paralelo duas notícias da passada semana, que não pude deixar de apresentá-las no blog: A primeira tratava-se de uma jovem muçulmana  que em Espanha se viu forçada a mudar de escola, pela instituição considerar que o uso do hijab é contrário aos seus regulamentos (https://observador.pt/2018/11/16/escola-proibe-crianca-de-utilizar-veu-islamico-em-espanha/ ), e a segunda falava de uma blogger que foi impedida de entrar no Louvre devido ao seu decote. Estas notícias lado a lado são uma expressão interessante do que a antropóloga Angeles Ramirez tem vindo a argumentar no seu trabalho La trampa del Velo: que as políticas europeias de proibição de símbolos religiosos no espaço público, confiando no fundamentalismo laico para combater o fundamentalismo islâmico, e na democracia ocidental para libertar à força as mulheres muçulmanas do “jugo” do véu, são menos sobre preocupações securitárias, liberdade e secularismo, e mais sobre o controlo dos corpos femininos.

Uma ferramenta valiosa do patriarcado é a alienação da mulher do seu próprio corpo- deixando-o por isso à mercê de uma censura cultural moldada por valores machistas. Essa censura tem consequências reais ( como ser impedida de estudar ou entrar num museu), e pode cristalizar-se nas normas do Estado. Aqui podemos pegar nos países que proíbem o uso do véu, e os que o instituem como obrigatório para observar que apesar das bandeiras antagónicas, a raíz das políticas é a mesma (com as devidas justificações de ordem metafísica diferenciadas), e é por isso que Ramirez nos adverte sobre a “armadilha do véu”.  Esta tende a esconder uma questão mais profunda: a da regulamentação estatal de corpos ( subordinados) como tecnologia de reprodução do poder e valores.  No caso das mulheres muçulmanas em solo francês, belga, holandês, ou outro país europeu que proíba o uso do véu, os seus corpos revestem-se de uma dupla identidade subalterna: como sujeitos femininos e  como sujeitos coloniais.

Esta realidade não é encarada de maneira passiva, e não é por acaso que assistimos a um movimento de “hijabização” por um lado, mas também a movimentos que desafiam o uso compulsório do hijab, por exemplo no Irão ( como a campanha My Stealthy Freedom https://pt-br.facebook.com/StealthyFreedom/ ).O ponto é: estes movimentos são protagonizados por mulheres, contra as normas patriarcais impostas pelas estruturas que estas enfrentam. A dominação sobre as mulheres ( com lenço ou sem) é dominação sobre as mulheres. E as mulheres ( com lenço ou sem) resistem contra ela.

(Bea)

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“who said the hijab is a small issue?'”

Novembro 24, 2018

Não contradizendo as discussões em aula ( sobre porque é que o hijab tem de ser um problema), a intervenção da jornalista Masih Alinejad faz-nos pensar que a narrativa de destigmatização do hijab deve estar restrita a contextos particulares, pois o hijab obrigatório é um problema.

A discussão é já de 2016, coincidindo com a polémica do burkini ban em França, mas penso que levanta questões interessantes.

 

(Bea)

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“O contributo do islão para a promoção da paz”

Novembro 22, 2018

Na linha de pensamento dos bons e maus muçulmanos e do radicalismo que foi abordada nas últimas aulas de Contextos Etnográficos Árabes e Islâmicos, deixo um pequeno artigo de uma antropóloga muçulmana, Faranaz Keshavjee, que se intitula de “O contributo do Islão para a promoção da paz”.

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(Catarina Mendes)

 

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Rafiki

Novembro 22, 2018

https://www.publico.pt/2018/09/23/culturaipsilon/noticia/rafiki-filme-de-amor-lesbico-deixou-de-ser-proibido-no-quenia-e-pode-concorrer-aos-oscares-1845016?fbclid=IwAR0wyB1iJQNJqr4hYVf4UPi2YNYFmbmhzfNj1R10Vw7pxOAx6zqoMLsUlkE

 

Um amigo meu fez uma publicação sobre este filme no facebook e fiquei curiosa de ir investigar. Então encontrei esta notícia do Público (que já é de Setembro!) e achei extremamente adequada para pensar o tema dos direitos humanos e da cultura, especificamente no contexto dos direitos LGBT. Acho que é um óptimo exemplo de algumas coisas que refere o texto de Stychin. No entanto, no caso do filme, a luta LGBT está a ser feita a partir do interior da sociedade e através de uma obra de arte arte, não sendo uma imposição política exterior. Ainda assim, levantou enormes problemas e contestação na sociedade queniana.

(Inês Faria)