Posts Tagged ‘antropologia’

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Maus casos, bons para pensar

Maio 23, 2008

A aula da Alice Frade, mais uma vez nos trouxe para a academia experiência e  advocay, ao lado de antropologia. A visão da evolução política dos «direitos reprodutivos» dentro e fora de Portugal alargou-nos o horizonte de análise. Obrigada, Alice!

Tal como em relação ao «tráfego de pessoas» de que nos falara Filipa Alvim, levantou-se aqui a questão relativamente à MGF (uma sigla, uma despersonalização, um diagnóstico…) em Portugal: «do women really need saving?». É preciso ousar colocar esta questão, sem qualquer agenda; porque não se pode ter agenda sem encontrar uma resposta para ela. Para isso, a etnografia é precisa: onde andam os antropólogos?

“Erradicação da MGF” é  terminologia internacional herdada a epidemologia. Isto também nos faz lembrar o «sindroma de Ulisses». Os «males» da cultura, são doença…há que “erradicá-los” ou “medicalizá-los”.

MCS

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A antropologia como arma dos militares

Abril 19, 2008

O texto de William O. Beeman publicado na edição portuguesa do Le Monde Diplomatique pode ser lido aqui. (A qualidade da imagem não é a melhor, mas está legível, espero.) A versão em inglês pode ser lida no site do LMD.

Entretanto, no blog Culture Matters, Greg Downey critica o artigo de Beeman , este responde e Downey comenta a resposta.

Um outro artigo, na mesma edição portuguesa do LMD, imputa à antropologia e aos antropólogos a responsabilidade “histórica” pela utilização da etnografia das diversidades étnicas e culturais na construção de uma “política das raças” (segundo a expressão do autor). Diz Alain Ruscio, historiador, no texto “Ao serviço do colonizador“:

“Sempre e em toda a parte, os decisores basearam-se em divisões minuciosamente estudadas pelos eruditos: no Magrebe, berberes/cabilas contra árabes; na Indochina, anamitas contra grupos étnicos minoritários e/ou contra cambojanos; em Madagáscar, hovas contra merinas… Não afirmamos que tais divisões eram artificiais, que foram criadas pelos novos donos e senhores. Mas elas constituíram o húmus da “política das raças”: muito concretamente, essa diversidade humana e étnica das sociedades dominadas foi utilizada para se obter uma divisão permanente.”

… o que remete para a discussão do texto de Lila Abu-Lughod, Writing against culture, e para a sua defesa de um “humanismo táctico” como forma de atenuar o efeito algo perverso da etnografia da “diferença” cultural, efeito esse de reificação e aprofundamento das diferenças.

[CM]

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Ciclo de Conferências: Antropologia e Intervenção Social – Uma Relação (Im)possível?

Abril 17, 2008

programa                                 

 A Filipa Alvim que também participa neste ciclo e conferências, é nossa convidada.

É licenciada em Antropologia Social pelo ISCTE e tem  trabalhado com a Amnistia Internacional – Portugal onde desenvolveu o Relatório da Campanha Acabar com a Violência Sobre as Mulheres publicado em 2006. Faz actualmente  pesquisa sobre Tráfico de mulheres em Portugal, com o CEAS/CRIA em parceria com o ACIDI. No dia 24 de Abril partilhará connosco a etnografia do Tráfico de mulheres em Portugal.

MCS

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CÓDIGO DE ÉTICA DO ANTROPÓLOGO

Abril 16, 2008

CÓDIGO DE ÉTICA DO ANTROPÓLOGOConstituem direitos dos antropólogos, enquanto pesquisadores:
1. Direito ao pleno exercício da pesquisa, livre de qualquer tipo de censura no que diz respeito ao tema, à metodologia e ao objecto da investigação.
2. Direito de acesso às populações e às fontes com as quais o pesquisador precisa trabalhar.
3. Direito de preservar informações confidenciais.
4. Reconhecimento do direito de autoria, mesmo quando o trabalho constitua encomenda de órgãos públicos ou privados e protecção contra a utilização sem a necessária citação.
5. O direito de autoria implica o direito de publicação e divulgação do resultado de seu trabalho.
6. Os direitos dos antropólogos devem estar subordinados aos direitos das populações que são objecto de pesquisa e têm como contrapartida as responsabilidades inerentes ao exercício da actividade científica.

Constituem direitos das populações que são objecto de pesquisa a serem respeitados pelos antropólogos:

1. Direito de ser informadas sobre a natureza da pesquisa.
2. Direito de recusar-se a participar de uma pesquisa.
3. Direito de preservação de sua intimidade, de acordo com seus padrões culturais.
4. Garantia de que a colaboração prestada à investigação não seja utilizada com o intuito de prejudicar o grupo investigado.
5. Direito de acesso aos resultados da investigação.
6. Direito de autoria das populações sobre sua própria produção cultural.

Constituem responsabilidades dos antropólogos:

1. Oferecer informações objectivas sobre suas qualificações profissionais e a de seus colegas sempre que for necessário para o trabalho a ser executado.
2. Na elaboração do trabalho, não omitir informações relevantes, a não ser nos casos previstos anteriormente.
3. Realizar o trabalho dentro dos cânones de objectividade e rigor inerentes à prática científica.

 

 

Daniela

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Também está na net…

Abril 14, 2008

… o outro texto de Ericksen que consta da bibliografia, “Multiculturalism, individualism and human rights: Romanticism, Enlightenment and lessons from Mauritius“, também no site do autor.

E, já que estamos no site de Ericksen, vale a pena (acho) ler uns excertos do livro “What is Anthropology?” (2004) que o autor disponibiliza no site. Thomas Hylland Ericksen tem insistido publicamente em prol da “antropologia implicada”. Pessoalmento, simpatizo bastante com as ideias deste autor, que publicou, em 2005, “Engaging Anthropology: The case for a Public presence” (o link é para a Amazon, porque, por motivos de copyright, o autor teve de retirar do domínio público os excertos que publicara no site). O blog anthropology::info publicou alguns textos sobre o livro:

More and more anthropologists, but they’re absent from public debates – “Engaging Anthropology”(1)

Why anthropology fails to arouse interest among the public – Engaging Anthropology (2)

The Secret of Good Ethnographies – Engaging Anthropology (3)

CM

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Textos e recados

Março 4, 2008

Neste momento não me é possível disponibilizar materiais em formato digital.

Ficaram já hoje disponíveis em papel alguns textos da disciplina, nomeadamente os de Leila Abu-Lughod e de Marshall Sallins cuja discussão está prevista para 5ª feira (dia 13), com moderação a cargo da Diana, da Cátia, da Sofia, do Luis e do Fernando. (Mas antes disso ainda há aula na 3ª)

Lembro que nesta 5ª (dia 6) não há aula de DH. Das 10h à 11h30 será projectado na sala 304 o filme Hajj, de Said Bakhtaoui, 1999 no âmbito da disciplina de CAI.

No dia 11 (3ªfeira) às 12h, os participantes da disciplina de ADH estão convidados para uma iniciativa do CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia), na FCSH: Cultura Fora / Património Imaterial 

Até para a semana!

MCS

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Este lugar ainda está em construção…

Fevereiro 28, 2008

Mas pode-nos ir visitando.

Este é um blog que pretende prolongar a discussão encetada no âmbito das sessões da disciplina de Antropologia e Direitos Humanos da FCSH-UNL e transportar para lá notícias, comentários e outras contribuições que aqui apareçam.

Parte dos materiais para discussão nas sessões da disciplina – que funciona em regime participativo de seminário – serão colocados aqui, pelo que a sua consulta regular é conveniente.

Aqui fica o programa da disciplina para o discutirmos amanhã mais em detalhe. Os textos assinalados são os que servirão de base às discussões temáticas. Só poderão ser seleccionados alguns de entre eles, e isso dependerá do número de pessoas que se ‘inscrever’ para os trabalhar e trazer à discussão nas sessões de debate. Essa ‘inscrição’ deverá começar a ser feita na próxima sessão.

pdf Programa da Disciplina de Direitos Humanos

Ficámos também de fazer uma primeira discussão em torno do texto da Declaração Universal dos Direitos do Homem…

Até amanhã

MCS